Netuno

Ser polemico não me parece suficiente, é necessário salvar o mundo. O ancião.netuniano depois de matar o Space Ghost esta aqui para realizar essa tarefa. Negando em seu cotidiano terrestre a natureza humana mais intrínseca: ser arrebanhado por idéias comuns a aqueles táxons terminais da filogenia dos vertebrados de tetas. Aqui estão reunidos comentários e insanidades sobre economia, política e cultura.

Friday, June 30, 2006

O Valor da Guerra

Industrial Expansion - Germany 1933-39.
Os elementos que comumente acreditamos levar, durante os períodos de paz, a revoluções econômicas permanentes, e concebendo assim a conseqüente acumulação do capital e posteriormente a felicidade coletiva através do seu uso fruto, são falsos e raramente trasformadores. Os referidos elementos são em verdade caóticos e muitas vezes ineficazes quando se trata de algum ganho verdadeiro. Seus ganhos, embora relevantes, mantêm-se isolados e dispersos, conservando os privilégios de poucos e incapazes de modificar consistentemente seus arredores.

Ao contrário, durante a guerra, todos os elementos, e verdadeiramente todos, são reunidos e sincronizados em torno de poucos objetivos, tornando esforços antes inimagináveis, dessa forma, perfeitamente tangíveis. Dessa forma, a revolução atinge tão grande dimensão que é impossível privar alguém de seus benefícios. Assim deu-se as ferrovias durante as guerras napoleônicas e agora a internet durante a guerra fria.

Senso de Verdade no Ouvinte

Greta Garbo no filme Mata Hari, 1931

É comum as pessoas acreditarem que suas relações com os outros são sempre verdadeiras, e que a verdade é o único elemento edificador resistente ao tempo. Nada mais falso! As mentiras e dissimulações podem se tornar elementos mais eficazes que as verdades na construção da paz e da felicidade, quando a verdade apenas leva a guerra total.

Os diplomatas fazem da dissimulação sua maior qualidade e orgulho e os espiões nada mais buscam que a verdade por traz das aparências. Entretanto, não há quem discorde da máxima que a paz é apenas conseguida através de um intenso esforço diplomático, enquanto a espionagem invariavelmente leva a agressão.

Tuesday, June 27, 2006

Senso de Verdade no Escritor

Livros de Cabeceira

Estava pensando em inventar uma escola. Estou precisando de algum dinheiro para compensar as perdas tive no mercado de capitais. Ainda indeciso no que concerne em o que se ensinar por lá, andei dando uma olhada em uns livros antigos de Biologia, História, Geografia, etc. para ver se há algo que possa ser vendido.

No que diz respeito às verdades ali contidas, os escritores tem uma moral mais fraca que os professores. Eles não querem absolutamente ser privados das brilhantes e significativas interpretações da história, e se guardam contra os métodos e resultados mais parcimoniosos. Veja, por exemplo, a posição anti-americana em nossos autores de “geografia política”. Aparentemente lutam na defesa do povo e do Brasil, mas na verdade não desejam abrir mão dos modos mais eficazes de sua arte, ou seja, insufla o nacionalismo, superestima a força do povo, da sentido ao simbólico e persegue o extremo, crendo no repentino surgimento de algum significado real do que escreveu; considera o encadeamento do seu modo de argumentar mais importante que a devoção à verdade em qualquer forma, por mais simples que ela se manifeste. Daí a importância dos bons professores.

A Ciência na Arte.

Aphrodite known as "Venus de Milo" Late 2nd century BC. Parian marble Sculpture

Longe de ser um artista, antes disso um cético pesquisador de coisas estranhas, me permito uma pequena dissertação sobre a imperfeição em seção de fotografias do Museu de Artes de Ribeirão Preto. Diante de tudo que vi, uma coleção de cenas em tons cinzentados, acerca da urbanidade paulista, me veio a obvia questão: por que não são essas perfeitas?

Diante de toda perfeição ignoramos o modo do como isso se tornou perfeito, como se aquilo tivesse se materializado diante de nos espectadores. Possivelmente isso seja o nosso sentimento mais religioso, nossa maior proximidade com o divino. Como se estivéssemos na pirâmide de Quéops, que certa manhã Amón-Ha, convocando uma horda de alienígenas, tivesse construído para sua morada, com todos os imensos blocos que a compõe; ou que subitamente uma alma sensual entrou num bloco de pedra e eis a Vênus, que agora deseja seduzir os homens através do mármore. O artista, tal como o profeta, sabe que sua obra só tem efeito pleno quando suscita a crença num ato improvisado, num miraculoso brotar; e assim ele induz a ilusão. O artista induz assim todos os elementos que nos inquietam e nos fascinam e também gera a confusão como um artifício enganoso para que o espectador creia que a perfeição tenha brotado naquela obra.

A ciência da arte deve duelar firmemente a essa ilusão e apontar os enganos ao intelecto mal acostumado, que nos faz cair nas malhas do artista. Pois obvio que não nos adianta gostar da obra, é necessário que a entendamos. Como Nietzsche escreveu.

Monday, May 22, 2006

Start

Tela a Barricada, Delacroix - 1830
Óleo sobre Tela 260 x 325 cm no original.

Sabemos o quanto é insultuoso incluir o homem, sem rodeios nem metáforas, como um mero ramo na árvore que ilustra a evolução dos animais. Dessa forma, dizer que não passamos de primatas neotênicos quase se considera uma heresia. Ainda mais repudiado é o fato de empregarmos constantemente, referindo-se aos nossos "grandes" políticos e colunistas (dos mais importantes meios de comunicação) , as expressões: "arrebanhar", "instintos de arrebanhamento" e outras semelhantes. Que importa! Não podemos proceder de outra forma se é justamente nisso que consiste nossa no forma de organização e de governo.

Pois bem, sabe-se hoje o que é bem e o que é mal, e minha insistência nos posts que sucederão este poderão parecer dura e desagradável aos ouvidos: abaixo ao Estado Democrático.

O que aqui entendo, e o que reitero, é o instinto do homem animal de rebanho (que impede o estabelecimento da democracia). O homem arrebanhado tomou preponderância sobre todos os outros homens possíveis, fazendo-se cada vez mais sintomático. A moral política do Brasil é, e sempre foi, uma moral de animal de rebanho, levado sempre pelo cabresto – e incapaz de irromper os currais quando bem alimentado. Assim colocada, minha opinião é, e só pode ser, apenas uma espécie particular de moral humana, concorrente de muitas outras possíveis. Um louvor e um direito democrático.

No entanto, a moral dos rebanhos tem combatido todas as outras morais com um vigor jamais visto. Essa moral diz teimosa e efusivamente “eu sou a própria moral, e não há moral fora de mim”. Tudo isso com o rompante de ideal democrático que se sujeita aos mais sublimes desejos do animal arrebanhado, medindo sua satisfação pelos pontos de crescimento do PIB nacional. Lisonjeando-os, chegamos a ponto de encontrar uma expressão cada vez mais visível dessa moral: “o Brasil é uma democracia consolidada pelos brasileiros, e que se faz valer através dos votos de todos seus cidadãos”.

Assim nos vemos marchando em direção à demagogia da igualdade econômica, movida com maior força pelos líderes populistas idiotas, jornalistas cretinos e aos entusiastas da sociedade que se dizem social-democratas e querem a “sociedade livre”, mas que estão profunda e intuitivamente contra toda forma de sociedade que não seja a do rebanho autônomo (o rebanho que vota!), agrupados em uma resistência algoz a toda pretensão individual, a todo direito particular e privilégio – estão no fundo resistido a todos os direitos, porque quando todos forem iguais, ninguém precisará mais de direitos.
É hora de salvar o Mundo
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